O que a Pornografia Roubou da minha Masculinidade

Copy of pexels-photo.jpg

Josh Cearbaugh

Pornografia & Masturbação

Não é segredo nenhum que o vício em pornografia é algo destrutivo e nada saudável. Há diversos estudos que cientificamente provam que isto é verdade, celebridades como Russell Brand trouxe o assunto à tona e organizações como Fight The New Drug tem falado abertamente sobre esta realidade. Eu não irei elaborar um dossiê contra a pornografia porque isto já foi feito. Este post tem a intenção de ajudar os homens a entender o efeito duradouro que a pornografia tem sobre a masculinidade e como vagarosamente corrói até a alma. Como eu sei que isto é verdade? Infelizmente, eu sei por experiência própria. Minha história não é única. Infelizmente, é muito mais comum do que a maioria das pessoas está disposta a admitir. Eu nasci no início da década de 80, e meu primeiro contato com a pornografia foi quando eu era um jovem adolescente. Eu achei uma “revista pornográfica” próxima ao lixo. É assustador pensar a facilidade de acesso que as crianças têm à pornografia, atualmente, se comparado com a época em que eu estava crescendo. Aquela revista levou a uma luta que durou até o fim dos meus vinte e poucos anos. O problema da pornografia é que o dano dura muito mais do que a luta. Há um efeito prolongado de sua atração enganosa, mesmo quando você se livra do vício. Então, o que a pornografia roubou de mim naquele período de 15 anos? A resposta curta é na verdade longa, mas vamos nos aprofundar na resposta longa.

 

1. CLAREZA SOBRE MEU CHAMADO NA VIDA

 Um dos maiores problemas com a pornografia é o momento em que ela chega em nossas vidas. A maioria das crianças pode encontrar pornografia em qualquer lugar, dos 9 aos 12 anos, e as vezes ainda mais cedo. Quando isso aconteceu na minha via, tornou nebulosa a minha habilidade de identificar o chamado de Deus para mim. Eu esta afundado em uma atração fatal que a pornografia apresentava e vagarosamente aquilo foi me afastando dos planos originais de Deus. Dito isto, Deus é mestre em fazer todas as coisas colaborar para o nosso bem. Eu não imagino nem por um segundo, que a luta que enfrentei com a pornografia pudesse me fazer perder meu chamado, mas fez com que o processo de descoberta fosse mais longo e doloroso do que precisava ser.

2. MEU SENSO DE VALOR-PRÓPRIO

Eu diria que isto é algo contra o qual ainda luto, às vezes. Talvez todos nós lutemos em certa medida, mas sempre foi difícil para mim, enxergar o meu valor quando eu estava fazendo algo que me fazia questionar o meu valor. Eu dizia coisas como “ Se eles soubessem a realidade da minha vida, eles nunca...” ou “ Eu sequer consigo parar de ver pornografia, portanto não há meios de que eu possa ter muito a oferecer.” Eu sempre duvidava do meu valor porque me sentia fracassado diante do meu vício. Fez-me questionar a autoridade da minha voz na vida de outra pessoa, ou de fazer algo apenas por diversão, ou tomar um decisão pequena ou grande, e a lista continua.

3. A VERGONHA... AH, A VERGONHA

É impossível ver pornografia e não sentir vergonha, principalmente quando você entende que a vergonha é aquilo que nos separa de Deus. A pornografia nada mais é do que um dos mecanismos usados para trazer vergonha em nossas vidas. Eu normalmente via pornografia, me masturbava, imediatamente me sentia culpado, jurava que nunca mais faria e então eu fazia tudo de novo. Aquilo fez com que eu odiasse aquela parte de mim, o que causava então ainda mais vergonha. Vergonha em cima de vergonha é uma ótima receita para criar desesperança e isolamento. Eu me senti sozinho e sem poder para o meu ciclo. Eu não queria que ninguém soubesse o que realmente estava acontecendo, especialmente quando eu estava no meio do ministério. Em vez de estar presente e conectado ao momento, eu estava internamente sentindo pena de mim mesmo e me sentindo como uma fraude.

 

4. MINHA CONEXÃO COM DEUS

 Esta parte está relacionada à vergonha, mas precisa do seu próprio ponto. Para ser claro, houve um tempo em que eu não estava buscando a Deus e lutava com a pornografia. Durante aqueles anos, eu não quis nada com Deus… mas eu tinha pais que oravam por mim e muitos anjos da guarda que ajudaram a me manter vivo e eventualmente me ajudaram a voltar para Ele. O problema foi que quando eu retornei para Cristo, o vício em pornografia não foi embora. Eu sei que acontece isso para algumas pessoas, mas não aconteceu para mim. Eu ainda tive que lutar por anos. Cada vez que eu fazia aquilo e sentia vergonha, tornava-se impossível passar um tempo com Deus. Era como se eu não fosse digno por causa das minhas ações. Não apenas isso, mas não sentia conexão alguma quando tentava adorar. Era como se eu estivesse cantando músicas vazias que eram para pessoas apaixonadas e puras, o que eu não era. Eu frequentemente sentia uma convicção de arrependimento, mas quanto mais eu lutava como cristão, mais eu sabia que repetiria tudo nos dias a seguir. E como eu me sentia daquela forma, eu não queria me arrepender, o que fazia com que eu me sentisse distante.

5. INSEGURANÇA EM RELAÇÃO AO MEU CORPO

Se você ler meu post sobre sexo, ou qualquer um dos meus outros posts, então você saberá que eu sou um pouco direto. Bem, eu permaneço verdadeiro nisto ao compartilhar este ponto. Aqui está outro engano que a pornografia cria: os caras nos vídeos ... hum ... bem ... eles geralmente não são como a média em nenhum sentido. Eu não sabia disso e sempre me senti envergonhado com o tamanho do meu pênis. Mal sabia eu que o tamanho médio não era nada parecido com o que eu via no pornô.

Tudo o que eu sabia enquanto adolescente, e nos meus vinte e poucos anos, era que eu não tinha o que eles tinham e isso me levou a sentir que eu era menos homem e fisicamente inseguro. Somente quando minha esposa disse coisas como "é o tamanho perfeito para mim" que comecei a ficar bem com a forma como Deus me fez. A influência de minha esposa, juntamente com o aprendizado sobre a realidade dos homens na pornografia, foram dois fatores de muitos que me fizeram ficar bem com essa parte do meu corpo.

O mesmo pode ser dito sobre os atributos físicos de uma mulher na pornografia (ou mesmo na moda na maioria dos casos). Quando as mulheres usam as mulheres no pornô como padrão, isso só as leva a sentir vergonha do corpo delas em vez de amá-lo.

6. SENTIR-SE UM FRACASSO NA CAMA

 Isto está relacionado ao ponto acima, mas é mais complexo do que o tamanho do meu pênis. Estou me referindo à minha capacidade de agradá-la. Eu tinha colocado muita pressão sobre mim mesmo, devido ao fato de eu ter visto tanta pornografia. Quando nos casamos, eu sentia que tinha que ser uma estrela do rock toda vez que fazíamos sexo. Eu rapidamente percebi que aquilo não iria acontecer.

Houve momentos em nossos primeiros anos de casamento em que o sexo foi estranho, ou que eu fiz algo que não foi agradável para ela. Em vez de enxergar aquilo pelo que de fato era, ou seja, duas pessoas aprendendo sobre os corpos um do outro, eu me sentia um completo fracasso. Isso fez com que eu me fechasse e me desconectasse. Embora eu não visse pornografia quando estávamos fazendo sexo, a vergonha causou distância da minha esposa exatamente na área que Deus projetou para criar o nível mais profundo de intimidade. Cada vez que isso acontecia, minha masculinidade era afetada. Isso me fez sentir que eu não poderia agradar adequadamente a mulher que eu amava. O sexo fez com que eu me sentisse um fracasso.

7. EXPECTATIVAS SEXUAIS DISTORCIDAS COM A MINHA ESPOSA

Da mesma forma que eu tinha a expectativa de que eu precisava ser uma estrela do rock na cama, eu também tinha a expectativa de que o sexo seria essa experiência surpreendentemente orgástica (trocadilho intencional). Eu queria que ela recriasse as cenas que eu tinha assistido sem que ela soubesse. Não é novidade que ela se sentia violada ou que não quisesse fazer o que eu queria. Ela dizia não, o que me deixava desapontado e causava distância em vez de intimidade. Isso não aconteceu em todas às vezes, mas se destacou quando aconteceu. O problema era que ela queria me amar e se conectar, mas não da maneira que eu queria. Além disso, ela não sabia que eu estava lutando com um vício em pornografia na época.

Não só eu queria algo que ela nunca deveria dar, como eu era o único que sabia por que eu queria aquilo para começo de conversa. Você pode apenas imaginar a quantidade de vergonha que sentia. Em resumo, a pornografia roubou muita conexão que foi planejada durante nossos primeiros anos de casamento. Somente quando eu confessei minha luta que aquilo começou a mudar. Levou tempo, mas agora tenho expectativas adequadas. Aquelas que são baseadas em nossa intimidade e história, não aquelas construídas que um filme pervertido tem a oferecer.

 

8. A CONEXÃO COM TODAS AS MULHERES

Eu via as mulheres mais como objeto do que aquilo que elas realmente eram. Fiquei condicionado a olhar primeiro para a beleza física delas e usá-las como uma medida para quem elas eram como pessoa. Minhas relações eram muitas vezes superficiais e fúteis, assim como a pornografia é. A pornografia é como uma droga. As ânsias só aumentam com o tempo e você precisa de mais para ficar "alto". Quando via uma garota mostrando o seu decote, usando uma saia justa, calças de ioga, etc., eu tirava visualmente dela. Eu não me importava que eu estivesse basicamente traindo minha esposa. Muito parecido com um viciado em drogas, eu precisava de uma solução e estava conseguindo.

VER PORNOGRAFIA QUANDO NÃO HAVIA NINGUÉM OLHANDO, ME LEVOU A ENCONTRAR SEGURANÇA NO ISOLAMENTO, IMPEDINDO AS PESSOAS DE VEREM O MEU VERDADEIRO EU.

Eu tinha medo de deixar qualquer mulher me conhecer porque eu tinha certeza que elas iriam descobrir sobre o meu vício e acabar com a nossa amizade. Isso também está ligado ao meu medo pessoal de rejeição, mas estamos tratando apenas dos danos da pornografia por enquanto.

Há esperança. Deus ama transformar nossas histórias de dor em histórias de força e reconciliação. Para mim, tem sido uma batalha muito dura, mas aprendi muito no processo. Conheci amigos ao longo da vida quando estava disposto a enfrentar a dor que estava febrilmente tentando entorpecer. Abracei uma jornada de cura e aprendi a me tornar autoconsciente, não apenas em relação à pornografia, mas em relação a várias áreas da minha vida. Eu me tornei um consultor de vida e passei a ajudar as pessoas a passarem pelas mesmas coisas com as quais lutei. Eu encontrei uma das minhas paixões, que é falar sobre as coisas que eu gostaria de ter conhecido anos atrás e equipar as pessoas para serem proativas na vida. Eu tenho uma relação sexual incrível com minha esposa. Eu tenho filhas espirituais e relacionamentos saudáveis com várias mulheres que me conhecem, o meu verdadeiro eu.

Eu não culpo exclusivamente a pornografia por minhas inseguranças, medos ou dificuldades que tenho na vida. Mas dito isto, a pornografia foi um fator que afetou muito minha jornada na masculinidade e tornou significativamente mais difícil do que poderia ter sido caso eu nunca tivesse me deparado com ela.