De Vítima à Vencedora

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ENCONTRANDO A LIBERDADE

Eu passei os primeiros 12 anos da minha vida no norte da Virgínia. Quando eu tinha apenas 10 anos de idade, meus parentes abusaram de mim sexualmente. Antes do abuso, e era uma menininha normal: eu amava ler, colecionar selos, desenhar e também era membro do fã clube da Barbie. Infelizmente, após o abuso, eu me  tornei uma menininha diferente. Ninguém me ajudou ou validou o abuso que eu sofri, então parte de mim se escondeu e eu entrei em depressão. Eu não queria estar com ninguém, não queria mais ir à escola e por conta disso fugi de casa aos 12 anos.

Quando eu fugi de casa, eu era um alvo ambulante dos traficantes e predadores que procuram crianças machucadas: Eu tinha sido abusada, estava com depressão e desesperadamente precisando de ajuda. Não demorou muito para os traficantes me encontrarem. Surpreendentemente, foi um casal – um homem e uma mulher – que me encontrou nas ruas de Washington D.C. Eles me tiraram das ruas, aonde eu estava faminta e sozinha, e me levaram para a casa deles. Eles me alimentaram e pareciam estar cuidando de mim. Foi assim até eles começarem a me envolver no mundo do tráfico. Eles me usaram por alguns meses até não precisarem mais de mim, e então me venderam para outro traficante. No meio da capital do meu país, eu fui vendida a um homem chamado Moses. Logo após me comprar, o Moses me levou para Nova Iorque aonde ele me traficou por oito anos.

Durante o meu tempo em Nova Iorque, eu fui abusada, alvejada, esfaqueada, estuprada, traficada, agredida, viciada em drogas, aprisionada e mais, tudo isso antes dos meus 18 anos.

Para aliviar a minha dor, eu me tornei viciada em drogas. Esse hábito ficou muito caro, e eu não tinha mais valor para o meu traficante, então ele me liberou em Nova Iorque. Foi terrível; Eu estava viciada e sozinha na cidade.  Felizmente, em uma clínica de desintoxicação, onde eu procurei tratamento, eu conheci uma mulher chamada Anita que me ajudou a encontrar a minha irmã que estava morando em uma cidade perto da Filadélfia. Naquele Natal, a Anita me ajudou a reencontrar a minha família.

Após um período muito difícil de desintoxicação, comecei a  lentamente arrumar a minha vida.  Vivi no Estado de Washington, Mississippi, e eventualmente voltei para a Virgínia, aonde eu me casei e comecei a tentar ter um bebê. Pouco depois de eu começar a tentar engravidar, eu descobri que por conta dos traumas que eu passei na rua, eu era estéril. De alguma maneira, acredito que milagrosa; eu pude realizar tratamentos, e com muita alegria posso dizer que eu tive uma filha.

No meio de todas essas mudanças de estados e ter a minha filha, eu guardei o meu passado como meu segredo. Ninguém além de mim, sabia que eu tinha sido traficada e abusada. Até que em uma noite, quando minha filha tinha 15 anos, ela decidiu fugir de casa. As memórias do meu passado começaram a voltar e eu tive muito medo que as mesmas coisas que aconteceram comigo acontecessem com a minha filha. Eu não consegui ficar sentada esperando, então eu passei a noite toda fazendo ligações e procurando-a. Felizmente, eu a encontrei na manhã seguinte, e pouco depois, lhe contei a minha história. Após isso, ela nunca mais fugiu novamente, e ela está muito bem. Eu tenho um netinho lindo, e vivo uma vida contente e tranquila.

"Eu acredito que estou viva hoje porque Deus cuidou de mim todas às noites em que eu estava na rua. Ele manteve uma parte dentro de mim limpa; apesar de todos os homens e traumas que passei, uma parte de mim não foi tocada.  Eu chamo essa parte de mim a minha alma."

Eu escolho acreditar que passei por tudo que passei para que hoje eu pudesse ajudar outras pessoas. Se eu conseguir educar uma pessoa, ou dar esperança a uma vítima do tráfico, eu estou fazendo o meu trabalho, e então valeu a pena passar por tudo aquilo. Eu escolho ser uma vencedora, e não uma vítima – não apenas sobreviver, mas florescer. Hoje eu conto a minha história sempre que posso para ajudar outras pessoas.

-- História de Richmond Justice Initiative